segunda-feira, 26 de setembro de 2016

TORNOZELEIRA ELETRÔNICA E A BABÁ...


Amanda costumava cometer pequenos delitos, até que finalmente houve uma punição: teria que usar uma tornozeleira eletrônica.


Segundo as autoridades, assim ela estaria vigiada, e para fins criminais ela seria considerada uma presa.

Muitos não entendiam como uma pessoa que podia andar para quase todo lugar, podia dirigir, podia falar ou se encontrar com quem quisesse, podia pegar dinheiro, podia buscar e levar qualquer produto de onde fosse para quem fosse, e até mesmo se quisesse era possível praticar algum crime, poderia ser considerada presa...

Mas estava na lei e a Justiça já tinha dito que era assim e ponto: lá estava Amanda com seu acessório na perna.

Mas a presa-solta estava inquieta...

Queria visitar seu marido, o Marcão Vida Loka, este sim preso em uma penitenciária por dois homicídios e não contemplado pelo aparelhinho milagroso que esvaziava cadeias e fazia números de encarcerados baixarem.

Só que era proibida a entrada de presos no presídio..

Ah?

Sim, nossa presa-solta por estar presa não poderia ficar lá no ambiente de presos e... é.. também achei complexo.. mas era algo assim!

Então Amanda, enquanto assistia Casos de Família na TV, ficou pensando... olhando para babá de seu filho.. pensamentos... olhos naquela canela limpinha da babá... 

Pronto! Resolvido!

Cinquentão na mão da babá e o treco foi parar na perna da cuidadora do filho!

Livre, leve e solta, lá foi nossa presa-solta se encontrar com seu amado Vida Loka, no pavilhão do amor.

Amanda só não contava que tudo fosse descoberto.

Hoje está realmente presa, no Centro de Reabilitação Casa da Mãe Joana.

Quanto à babá?


Continua a cuidar da criança... mas agora usando sua própria tornozeleira eletrônica.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

"CANDIDATOS ANALFABETOS FUNCIONAIS..."



Era um país onde seus cidadãos se orgulhavam de falar que seus compatriotas não desistiam nunca.

Chegado o período eleitoral, muitos se lançavam candidatos, pois o sentimento de fazer algo pela população e pela cidade era geral.

Assim, pessoas das mais variadas localidades, atividades, ocupações, pensamentos, religiões, equilíbrio mental e grau de instrução surgiam em estampas de camisetas, outdoor, pinturas em muros, panfletos, banners...

E os discursos eram uns melhores que os outros:

“- vou mudar a lei pra pobre não pagar energia elétrica...”
“- Se for eleito vou criar uma lei contra as enchentes..”
“- No meu governo pai de filho em escola pública não vai mais pagar pedágio...”
“-Sendo eleito for vou propor uma lei pra no dia de jogo a torcida do time que ganhar a partida não precisar pagar a passagem...”

E por aí caminhavam as importantíssimas discussões para melhoria da sociedade!

Mesmo sem saber ler uma frase e muito menos conseguir redigir um parágrafo de pensamento, essas pessoas se inscreviam como candidatas nas eleições.

A Constituição daquele país exigia que somente poderia assumir um cargo eletivo pessoa que pudesse ler e escrever, mas...

No dia da prova foi aquela beleza.

“- Fala Zezin da Dona Ciça, colocô u quê naquela que pirguntava o qui queria dizêi u  testu?

“- Oh Carlão da Concessionária, eles queria qui dizia alguma coisa com país di Direito. Mas botei qui tem qui ter dever tamém! Ah si butei!”

E outros dois:

“- Graaande Amaral do Sinaleiro, escrivinhô as cincu linha da redazão?”
“- Oi Gil da Sinuca, craro! Estiquei um pouquinho a perninha das letrinhas e consegui escrevinhá meu nome treis vezes pra mostrá que tô aí! Num é? Sô Gil da Sinuca 333! Sacô!

Assim foi...

E não é que mesmo não conseguindo ler um mísero texto com dez linhas ou redigir uma redação com até cinco linhas, todos conseguiam ser aprovados?

A Justiça entendia que eram apenas analfabetos funcionais!

A população, bondosa e generosa, elegia seus semelhantes, muitos batendo no peito:  “Rapaiz, esse me representa!”

Difícil era explicar para os povos de outros países que ‘analfabeto funcional’ não era necessariamente o mesmo que analfabeto para exercer a função...

Mas para aquele povo isso não importava.

Dia primeiro de janeiro, e lá estavam Amaral do Sinaleiro e Zezin da Dona Ciça, sorrisos e diplomas da Justiça nas mãos, como representantes eleitos pelo povo para fazerem as leis!

Ah, estava me esquecendo.. ao lado, também sorrindo, estava o doutor Moraes, senhor de três faculdades e pós doutorado, a comemorar sua sexta reeleição!

Quanto aos doze processos por corrupção que ele ainda respondia na Justiça? Ele dizia que sua recondução pelo povo era prova de que tudo não passava de perseguição política...


Elaiá!

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

VISITA ON LINE DE PRESOS...






Na esteira dos avanços tecnológicos, a Secretaria de Segurança Pública resolveu instituir o sistema on line de agendamento de visita aos presos.
Já que o país estava sob a mira de entidades internacionais pelas péssimas condições das cadeias e até o Ministro da Justiça tinha dito que as prisões se assemelhavam a masmorras medievais, por que não postar acesso dos familiares dos presos via internet?
Eis uma uma atitude de primeiro mundo!!
Seria o fim de filas, de tumultos, de constrangimentos em revistas às pressas!
Montaram uma equipe para ir lá no presídio testar o sistema.
Tudo pronto e funcionando de forma maravilhosa... ao menos durante o teste. 
Os servidores entravam no site de visitas, marcavam o nome do preso, do pavilhão, da cela e horário da visita.
Ok e pronto!
Agendado!
Divulgaram via imprensa o tal programa "Visita on line", em meio a pronunciamentos e muito holofote.
O início estava previsto já para o final de semana.
Ocorre que os familiares dos presos não possuíam internet em casa e só conseguiriam acessar o site de agendamento via internet do celular...
E o sistema de telefonia - por nada nesse mundo - permitia o funcionamento rápido e eficiente para o familiar preencher a ficha.
O sinal de celular e internet sempre caia ante de concluída o agendamento!
Logo no primeiro dia de agendamento foi aquela reclamação dos parentes dos encarcerados.
Vários deles na frente do presídio protestando!
Os responsáveis do presídio botavam a culpa nas operadoras e diziam que estavam tentando “com as autoridades competentes” arrumar um jeito do sistema funcionar.
Já no segundo dia, de forma estranha, - já que os responsáveis ainda nada tinham feito -  não havia qualquer reclamação ou mobilização dos familiares...
E assim foram os dias seguintes.
No final de semana, estavam os familiares lá, cada qual com sua senha digital, no horário de sua reversa de visita, tudo certinho, organizado.
Intrigado com a situação aparentemente em ordem e funcionando corretamente, ainda mais porque sabia que não tinham mudado nada na telefonia do país, muito menos mudado o sistema, um funcionário chegou para a esposa de um detento:
“- Bom dia, minha senhora. Me tira uma dúvida? Como a senhora conseguiu fazer o agendamento on line da visita?”
“- O senhor promete que não vai me prejudicar?”
“- Claro que não, não sou da polícia... só mexo com computadores.”
“- Então, como ninguém estava conseguindo acessar o site de vocês, uma colega ligou para o marido que está preso aqui dentro e ele fez o agendamento com o celular dele dentro da cela! Aí ela passou o "bizu" pra nós e todo mundo passou a ligar para os parentes presos, que dentro da cela passaram a fazer os agendamentos! 
Afinal, não existe lugar melhor para o celular funcionar que aqui dentro, né senhor?!”
O funcionário, após o relato e voltar ao grupo de trabalho, indagado pelo supervisor se o sistema estava funcionado bem, apenas confirmou com a cabeça e voltou a sua rotina.

Na segunda-feira, os sites oficiais e imprensa divulgavam o sucesso do sistema e tratamento digno e de primeiro mundo aos presos do Brasil!

Sucesso!!!!



segunda-feira, 24 de agosto de 2015

DROGA ESCONDIDA NA GALINHA...





Fabiano tinha acabado de sair da prisão pelo crime de tráfico de drogas e, “como a vida era dura e ingrata”, resolveu procurar os velhos amigos para tentar arrumar um dinheiro e recomeçar.
A proposta que recebeu de seus amigos Fura Zóio e Narguilé foi voltar ao seu ramo de atividades, só que desta vez teria que se esforçar para não ser flagrado, já que na última vez deu na cara ao ficar na praça oferecendo droga para quem passava.
Pensou então num esquema que seria seguro e sem pistas: voltaria a morar com a avó, uma senhorinha de prendas domésticas querida por todos no bairro, conhecida por suas ações sociais, como ajudar mendigos, fazer crochê para confecção de roupas para crianças carentes e até fazer bolo para o pessoal da guarda municipal.
Pegaria a droga e esconderia dentro de frangos resfriados, deixando-os na geladeira.
Resolveu contar para avó, a conhecida Dona Francisca, que tinha arrumado um emprego numa lanchonete de frango assado e que teria que guardar alguns frangos no freezer da casa a pedido do patrão (“- lá no trampo já está lotado, vó!”).
E assim foram os dias e semanas, com Fabiano trazendo e levando frangos e Dona Francisca orgulhosa do neto se regenerando com aquelas galináceas.
Certo dia, Fabiano chega na rua da casa, atrasado para o almoço, e vê uma aglomeração de populares e carro de bombeiro.
Vai andando rumo à casa e percebe então que Dona Francisca está lá, de pé no telhado, usando uma camiseta do Nirvana e cantando rock n'roll a todos pulmões!!
Os bombeiros tentavam tirá-la de lá.. mas ela ameaçava dar um “stage diving” na plateia sempre que se aproximavam!
Fabiano, após tentar em vão falar com a avó, que agora berrava Rolling Stones (“- I CAN'T GET NO, SATISFACTION!!!”), virou-se para uma vizinha, perguntando se sabia porque sua avó estaria agindo daquele jeito.
“- Olha, vizinho, sinceramente eu não sei! Ela estava normal pela manhã! Disse até que ia lhe fazer uma canja no almoço, com um franguinho que você tinha trazido do seu emprego...”
...

E lá continuava dona Francisca, com uma coxa de frango na mão, entoando Talking Heads: “- PYSCHO KILLER, FA FA FA FA...!!!!”


domingo, 16 de agosto de 2015

PERFUMES FAMOSOS...






Todo mês era a mesma situação: apreensão de diversos perfumes, de marcas famosas, provenientes de contrabando.
Felipe era conhecido por ser o mão-de-vaca da turma de fiscais e ficou responsável pela destruição e queima dos produtos.
Após o procedimento, ele foi lá, com ar de espertão, contar aos mais próximos que tinha separado uns vidros de marcas famosas.
-      _ Mas Felipe, disse um amigo, esses produtos não são destinados à destruição por serem falsificados e também poderem fazer mal ao organismo?
-       Que nada! Isso é conversa pra enganar o povão! Certeza que a Receita faz isso por causa da fraude do tributo! Esses perfumes são bons! Sente o cheiro! Igualzinho o verdadeiro! Economizei uns R$ 500,00!
-       Sei não....
E voltaram à rotina de trabalho.
No dia seguinte, nada de Felipe aparecer para o batente...
Dois dias depois, ele surge no trabalho, todo empolado, abatido e cheirando a remédio.
-       Que isso, Felipe? O que houve?
-       Pois é, galera... Acho que minha teoria da conspiração falhou... Estou aqui...exalando cheiro de remédio, corpo todo zoado e morri em R$ 600,00 com dermatologista e medicamentos!
-       Liga, não, Felipe! Bola pra frente! Ao menos você não pegou nada daquela destruição de WheyProtein contrabandeado, né?!

E lá foi Felipe correr para o banheiro!!!